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Ao entrar na Academia
pela porta virtual, aberta,
dia a dia,
à Arte dos poetas,
meu coração se faz alerta
na busca ao menos de um indício,
de que tenha voltado a merecer,
como ao início,
uma simples citação,
ou um verso ali escondido.
Mas qual, ainda que espere
mês a mês que apareça,
e ainda que me esmere
a recompor perdas e sonhos,
o tempo se escoa como água
e ao final, o que me resta
é leve sabor de mágoa,
que se esgota ao me lembrar:
a academia merece,
por certo, muito mais
que minha pobre rima
-flor inodora que desbota-
à inspiração fugaz.
Sigo, de perto, aguardando
o que cada e-mail traz:
quem sabe, a Academia,
se abra e me oferte
um cantinho do universo
em que me fiz sua presa,
e, um dia, com toda vênia,
a surpresa de Efigênia
se faça em forma de verso.
Autoria: Hiram Câmara
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Todos os direitos autorais reservados ao autor
Biblioteca Nacional
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