|
Cinqüenta anos quase já se vão
Que eu te conheci, querido
irmão!
E, aqui, quero fazer este
elogio:
Foi em lugar bem próximo do Rio,
Resende, marginal do Paraíba.
Garotos dos Brasis de abaixo à
arriba,
Se juntam para honrar a um só
Brasil,
Em sonhos de juventude varonil.
Soldados já formados os baleiros,
Deslumbrados e nervosos os
bombeiros.
Na lida diária, Macuco,
Carrapicho,
“Gagá” do desespero, a “rep”
assusta o bicho.
O sacrifício, a saudade da
família,
Nas noites de serviço, as horas
de vigília.
As namoradas, as noivas, as
gurias,
Que falta elas nos fazem nesses
dias.
Gaúcho da fronteira pampesina,
Arataca, curtido da seca
nordestina,
Carioca, com ginga de sambista,
Estudioso e correto, esse
paulista.
De origem alemã, judia ou
japonesa,
Árabe, espanhola ou portuguesa.
Pretos, brancos, mulatos,
amarelos,
De cadete, fardados, muito
belos!
Vêm todos à Bandeira se entregar
E à Pátria amada servir e
venerar!
Após três anos, retornam aos
Brasis
E adestram seus soldados no uso
dos fuzis.
Espalham seus conceitos de amor
e retidão,
Formando a juventude, criando o
cidadão.
No cadinho do dever amalgamados,
Na ética da vida, por Deus
abençoados.
A cada ano aprendendo a conhecer
O povo e o chão que amam p’rá
valer.
Constituem famílias, fazem
filhos
Que no futuro seguirão seus
trilhos.
Escolhem companheiras e amantes
Que lhes farão as vidas mais
brilhantes,
Pois elas, a caserna
compreendendo,
Vão, deles, o sucesso
promovendo.
Seguem fiéis o juramento do
soldado,
Pois até morrem pelo solo tão
amado.
Galgam postos, procuram outras
vias,
Mas rejeitam as benesses de
ricas cortesias.
Prosseguem na busca do sublime
objetivo
Que a força de seus braços
mantém perene e vivo,
De fazer, deste País, a Pátria
tão sonhada,
Que seja rica, forte, de gente
libertada.
Essas fotos que trazem junto ao
peito
Retratam, quando jovens, o seu
jeito.
Agora têm os corpos já cansados,
Mas, dentro, corações ainda
apaixonados.
Da luta, mesmo fracos, não
desistem,
Apesar dos pesares que
persistem.
E hoje, aqui de novo reunidos,
Recordam o vigor dos tempos idos
E, claro, p’ro futuro fazem
planos,
Ainda que lhes sobrem menos
anos,
Pois sabem que os amigos
apressados,
Mais cedo, ao Criador,
apresentados,
Reunidos, também, no Paraíso,
Socorro lhes trarão, se for
preciso.
E, seguindo, na velhice, a
diretriz
De amar cada vez mais este País,
Os últimos dirão, já bem depois:
Que bom é reunir nossa Turma,
meia dois!
Autoria: Carlos Xavier Filho
- Rio de Janeiro - RJ - Brasil -
Todos os direitos reservados ao
autor
Biblioteca Nacional
(Durante reunião
da Turma de 62)
(Em Salvador, 31 de Outubro de
2005)
(Aspirante de 1962)
|