As bolhas de sabão flutuaram o tempo exato

antes de espocarem no ar como almas vazias.

A vida é a praça em que se brinca com essas bolhas

sopradas pelo destino, e tentar alcançá-las, é um ato

rotineiro na praça dos poetas a preencherem folhas

e folhas de um caderno-karma, um caderno-mito

no qual a ponta afiada de cada pensamento fura

uma a uma as bolhas-sentimento que flutuam

frágeis, antes de espocarem no ar como um rito,

na longa distância afetiva, longe da Ciência pura,

que alcança o coração e a mente em que atuam.

A rede de neurônios as reproduz, aos milhões,

bolhas -pensamento repletas de desejos e quereres

e elas se farão bolhas- fantasias, tudo que querias,

nesta grande praça-esfera de muitos bilhões de seres

a esgotarem seus pulmões soprando sonhos

a flutuar sobre os telhados de vidro das realidades

frágeis, antes de espocarem como gritos.

O mundo é essa praça esfera em que a espera

de um amor, que seja mais que uma bolha de afeto.

faça-se mais que um sonho e se não for assim,

que se desfaça quieto, como bolha que chegou ao fim.

 

Autoria: Hiram Câmara
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Todos os direitos autorais reservados ao autor
Biblioteca Nacional
 

Poesia participante da Ciranda "Fim de Sonho"
Hospedada no Site Arte & Poesia
www.tekanascimento.net
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