Como um raio,
fere, risca, rasga
a noite de minhas rotinas
mais vazias.
Como um sopro,
leve, brisa, é breve.
Flutua nas palavras
do silêncio,
nos sussurros que proponho.
Como um sonho,
é luz das cores matutinas,
ora nua, ora lua,
no céu de minhas fantasias.
Como um grito,
é como um pássaro.
Solta-se ao espaço,
agita-se nos ares,
quebra-se ao choque da vidraça
de meus templos mais sagrados,
seculares.
Como um samba,
ginga-se com graça,
malemole-se na praça
de meus medos
no sambódromo
de meus versos,
porta-estandarte da impossibilidade
de vencer um desfile
que enfim chegou,
tão tarde.
Como essência,
perfuma-me a vida
por instante,
fica-me a permanência da alfazema,
despertando-me a vontade,
inconfessável,
de provar do sabor de camomila
que ao passar por minha vida,
tempera levemente este poema.
Autoria: Hiram
Câmara
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Todos os direitos autorais reservados ao autor
Biblioteca Nacional
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